À deriva

21set10

Sexta. Ônibus Ceasa.

Ocorre o milagre de eu conseguir sentar na cadeira sozinha, daquelas inviduais, sabe?

Penso: delícia esse ônibus, pode até encher, mas posso gastar essa uma hora pensando na vida. até que entra uma mulher endiabrada, um mini-exu da estrela, que além de brigar com o cobrador, ao entrar abriu TODAS as janelas do  ônibus, xingando as pessoas e passando por cima delas.  conseguiu incomodar 50 e poucas  pessoas.

Inclusive a mim.

Eu acordo.

Sábado. Sé

Vejo um velho chorando copiosamente, sendo amparada por uma moça desconhecida  e cuidadosa.

Em  segundos me pego chorando também. Espero a pessoa na minha frente entrar, então  a porta do metrô fecha em cima de mim.

Eu acordo.

Terça. Bandeira Paulista.

Desço a rua pensando na vida, leve, apesar de ser terça de manhã.

Minha viagem é interrompida por um grito:

– Tá rindo sozinha, sua louca!

-Oxe, vai tomar no…

O troglodita era mais forte  que eu, por isso continuei andando.

Eu acordo.

São Paulo, venho por meio dessa solicitar a vossa senhoria o direito de me desarmar e poder viajar. A senhora poderia ser um pouco mais acolhedora?

Ou terei mesmo que comprar um carro?

Anseio pela deriva.

O mundo poderia ter um botão mute.

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2 Responses to “À deriva”

  1. me senti assim por 2 anos até que me rendi….


  1. 1 Exceção: « www.mhrossetti.wordpress.com

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